Castanha 2026 em Trás-os-Montes: Quebras e Preços, campanha da castanha de 2026 em Trás-os-Montes está a ser marcada por quebras de produção, fruto pequeno e dificuldades provocadas pelo calor e pela falta de água. Em Bragança, alguns agricultores apontam perdas entre 40% e 70%. Na serra da Padrela, em Valpaços, também se espera colher menos, embora vários produtores destaquem a boa qualidade da castanha disponível.
O balanço de outubro da CCDR-Norte confirma dificuldades na produção e na qualidade da castanha na Região Norte.
Mas há uma diferença essencial: os números divulgados por produtores não representam uma quebra oficial para toda a região ou para Portugal. Eis o que se sabe, à data de 6 de novembro de 2026.
Castanha 2026 em Trás-os-Montes: o que está a acontecer?
As temperaturas elevadas e a precipitação insuficiente afetaram o desenvolvimento dos ouriços e o enchimento dos frutos em diversos soutos.
O resultado, segundo os relatos recolhidos em outubro, é uma campanha irregular: existem árvores com pouca castanha comercializável, outras com frutos de reduzido calibre e explorações onde a qualidade continua a ser satisfatória.
A CCDR-Norte, no seu acompanhamento do estado das culturas referente a outubro, assinala a redução da produção de castanha e problemas fitossanitários.
O quadro regional é preocupante, mas não significa que todos os produtores tenham sofrido perdas iguais.
Bragança: produtores relatam perdas de 40% a 70%
Em notícias divulgadas pela agência Lusa em 28 de outubro de 2026, agricultores do concelho de Bragança descreveram uma campanha muito aquém das expectativas.
- Salsas: um produtor estimou uma quebra de 60% a 70%, referindo ouriços pequenos e pouca castanha desenvolvida.
- Vilarinho: outro agricultor apontou para uma redução próxima de 40%, com problemas de desidratação e de qualidade em parte do fruto.
- Outros soutos do concelho: foram comunicados frutos pequenos, secos e, em alguns casos, danificados por insetos ou problemas fúngicos.
São estimativas individuais, úteis para compreender o impacto no terreno, mas não devem ser confundidas com estatísticas oficiais da produção do concelho.
Os testemunhos foram divulgados, entre outros meios, pelo Diário de Trás-os-Montes.
Valpaços e serra da Padrela: menos quantidade, mas com diferenças na qualidade
Na serra da Padrela, concelho de Valpaços, a apanha começou mais cedo em várias explorações.
Produtores entrevistados pela Lusa, a 22 de outubro, anteciparam uma campanha mais fraca em quantidade, associada ao calor e à escassez de precipitação.
A situação, porém, não é idêntica à descrita em partes de Bragança: alguns agricultores da Padrela afirmaram que a castanha colhida apresentava boa qualidade e calibre.
Esta diferença mostra como a variedade, a localização e as condições específicas de cada souto influenciam o resultado da colheita.
Também em Vinhais, uma das zonas históricas da castanha da Terra Fria, produtores e representantes locais manifestaram preocupação com a redução das variedades precoces e com a disponibilidade de água para os soutos.
Não existe, nas fontes consultadas, uma percentagem final confirmada para todo o concelho.
Porque é que o calor e a falta de chuva prejudicaram a castanha?
O castanheiro necessita de condições favoráveis de água e temperatura durante o desenvolvimento do fruto.
Períodos prolongados de calor e défice hídrico podem limitar o enchimento da castanha, reduzir o calibre e agravar problemas de conservação e sanidade.
O IPMA classificou setembro de 2026 como extremamente quente e muito seco em Portugal continental.
Em outubro, o instituto assinalou também uma onda de calor na região nordeste.
Estes dados ajudam a enquadrar os relatos agrícolas, embora não permitam atribuir uma percentagem concreta de perda a cada episódio meteorológico.
Além do clima, os produtores referem outros problemas na fileira, incluindo pragas, doenças, custos de produção e falta de mão de obra.
Preço da castanha em 2026: está a subir ou a descer?
Não existe um preço único da castanha em Portugal. O valor recebido depende da variedade, calibre, qualidade, localização, quantidade, fase da campanha e canal de comercialização.
Nos testemunhos recolhidos pela Lusa em Bragança, no final de outubro, foram referidos preços próximos de 1,20 € a 1,50 € por quilo, com casos que poderiam chegar a 1,80 €/kg.
São valores locais reportados na altura, e não preços médios nacionais nem preços de venda ao consumidor.
Já os dados do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP) para a semana de 26 de outubro a 1 de novembro de 2026 mostram que o mercado não evoluiu todo na mesma direção.
Na área de Douro Sul, aumentaram algumas cotações à saída de estação, incluindo a castanha Judia a granel (+14%) e certas apresentações da Martainha (+29%), ao mesmo tempo que outras apresentações registaram descidas.
A aproximação do São Martinho contribuiu para reforçar a procura.
Consultar cotações divulgadas pelo GPP.
Em resumo: menos produção não significa automaticamente preços mais elevados para todos os produtores. É necessário acompanhar as cotações por variedade, região e tipo de venda.
Castanha pequena, bichada ou com podridão: que cuidados devem ter os produtores?
Em 2026, os relatos de castanha seca e danificada tornam especialmente importante uma boa gestão da apanha e da pós-colheita.
A Estação de Avisos do Norte Transmontano da CCDR-Norte disponibiliza orientações técnicas para reduzir problemas de podridão e perdas de qualidade.
- Apanhar a castanha com rapidez: evitar que permaneça no solo durante períodos prolongados, sobretudo de um dia para o outro.
- Separar os frutos danificados: castanhas com sinais de deterioração não devem ser misturadas com lotes de boa qualidade.
- Entregar rapidamente para processamento: de preferência no próprio dia de colheita, quando a cadeia logística o permite.
- Conservar a frio quando necessário: a orientação técnica para armazenamento antes da entrega indica temperaturas de 0 °C a 2 °C, nas condições adequadas.
- Procurar aconselhamento técnico: quando existam sintomas de pragas ou doenças, identificar corretamente a causa antes de decidir qualquer intervenção.
Estas medidas baseiam-se na Circular n.º 10/2026 da Estação de Avisos do Norte Transmontano.
Processos profissionais de tratamento térmico e conservação devem ser realizados com equipamento e controlo adequados. A existência de castanha “bichada” não permite, por si só, identificar qual a praga responsável.
O que está em causa para a economia de Trás-os-Montes?
A castanha é uma fonte de rendimento importante para produtores, trabalhadores sazonais, operadores de comercialização e empresas de transformação em várias aldeias de Trás-os-Montes.
Quando cai a quantidade vendável, podem aumentar as dificuldades em suportar os custos fixos da exploração e da apanha, mesmo que algumas cotações subam.
A importância económica e cultural da fileira volta a estar em destaque na Feira da Castanha Judia – Castmonte 2026, em Carrazedo de Montenegro, Valpaços, de 6 a 8 de novembro.
O evento reúne produtores e promove os produtos regionais, numa altura em que o setor enfrenta incerteza quanto ao resultado final da campanha.
Já se sabe qual será a quebra total de produção em Portugal?
Ainda não há, nas fontes oficiais consultadas até 6 de novembro, um balanço final consolidado que permita afirmar uma percentagem de quebra nacional da castanha de 2026.
Os números entre 40% e 70% divulgados para Bragança correspondem a testemunhos de produtores. São sinais importantes, mas não representam uma estatística para todo o país.
O AgroInveste acompanhará os balanços das entidades oficiais e as cotações de mercado à medida que a campanha avance.
Perguntas frequentes sobre a castanha em 2026
A produção de castanha vai cair 70% em Trás-os-Montes?
Não é possível afirmar isso. Alguns produtores de Bragança estimaram perdas até 70% nas suas explorações, mas não foi divulgada uma quebra oficial dessa dimensão para toda a região.
Como está a campanha da castanha em Valpaços?
Vários produtores da zona da Padrela esperam menos quantidade e referem uma apanha antecipada. Alguns destacam, no entanto, boa qualidade e bom calibre do fruto disponível.
Quanto custa um quilo de castanha em 2026?
O preço varia muito. No final de outubro foram reportados em Bragança valores locais de 1,20 € a 1,50 €/kg, com alguns casos até 1,80 €/kg.
Estes valores não são um preço oficial único nem uma referência de retalho.
O que fazer para reduzir perdas após a apanha?
Apanhar rapidamente, separar frutos estragados, minimizar o tempo até ao processamento e respeitar as condições técnicas de refrigeração são medidas recomendadas pela CCDR-Norte.
Quando são conhecidas as estatísticas definitivas da campanha?
Os resultados consolidados dependem da conclusão da colheita e da divulgação de novos dados pelas entidades oficiais. À data desta publicação, ainda não foi identificado um valor nacional definitivo para 2026.
Conclusão: uma campanha difícil, mas com realidades diferentes
A castanha 2026 em Trás-os-Montes está a demonstrar a vulnerabilidade de vários soutos ao calor, à falta de água e a problemas fitossanitários.
Os relatos de Bragança são especialmente preocupantes, enquanto em Valpaços surgem também sinais positivos relativamente à qualidade de parte da produção.
O mais importante é distinguir as perdas de cada exploração dos dados regionais e acompanhar os preços efetivamente praticados.
Para os produtores, uma colheita rápida, uma seleção cuidada e uma boa conservação podem ajudar a preservar o valor da castanha disponível.
Tem castanha, outros produtos agrícolas ou equipamentos para vender? Conheça o Mercado Agrícola AgroInveste e saiba como publicar um anúncio gratuito.
Fontes consultadas
- CCDR-Norte — Estado das Culturas, outubro de 2026.
- IPMA — Boletim climatológico de setembro de 2026.
- Lusa / Diário de Trás-os-Montes — Relatos dos produtores em Bragança, 28 de outubro.
- Lusa / O Minho — Campanha na serra da Padrela, 22 de outubro.
- GPP / Agroportal — Cotações de 26 de outubro a 1 de novembro.
- CCDR-Norte — Aviso fitossanitário e boas práticas pós-colheita, Circular 10/2026.





