Energias Renováveis Agricultura
Energias Renováveis Agricultura

Apoio para renováveis na agricultura

Foi publicado o diploma que cria um novo apoio de 15 milhões de euros para ajudar agricultores e organizações do setor a reduzir custos energéticos e investir em eficiência energética, produção e armazenamento de energia renovável (ex.: autoconsumo). O financiamento é a fundo perdido, na forma de reembolso, e pode chegar a 100% do investimento elegível — dentro dos limites legais aplicáveis.

A seguir explico, de forma prática, quem pode candidatar-se, quais as regras principais e como te preparares para submeter a candidatura assim que abrir o aviso no IFAP.

O que este apoio pretende financiar (em linguagem simples)

O objetivo é apoiar investimentos que reduzam consumos de energia e emissões e que reforcem o uso de energia renovável nas explorações e infraestruturas do setor agrícola.

⚠️ Importante: o diploma define o “guarda-chuva” do apoio, mas a lista final de despesas elegíveis e regras técnicas (limites por tipologia, documentos exigidos, prazos, etc.) vai aparecer no aviso de abertura.


Quem pode candidatar-se

De acordo com o diploma, podem beneficiar do apoio:

  • Produtores agrícolas e agropecuários
  • Cooperativas
  • Associações de regantes
  • Organizações de produtores reconhecidas

Condições para seres elegível

Antes de pensares em orçamentos e compras, confirma estes pontos (são mesmo decisivos):

  1. Estar legalmente constituído (quando aplicável)
  2. Situação tributária e contributiva regularizada (Finanças e Segurança Social)
  3. Inscrição na Base de Dados do IB (Identificação do Beneficiário) do IFAP
  4. Situação regularizada em reposições (FEADER/FEAGA) ou garantia constituída a favor do IFAP

Quanto apoia e como é pago (muito importante)

Este apoio funciona como reembolso:

  • Fazes o investimento,
  • pagas ao fornecedor,
  • e depois submetes o pedido de pagamento no IFAP com os comprovativos.

Regras críticas de pagamento

  • Só são aceites despesas pagas por transferência bancária, débito em conta ou cheque, comprovadas por extrato bancário.
  • A despesa, por regra, não pode ser anterior à data de submissão da candidatura, a não ser que o aviso diga expressamente o contrário.

Não podes “acumular” com outros apoios para as mesmas despesas

Uma regra simples: não podes financiar as mesmas despesas com este apoio e com outros regimes públicos. Por isso, se tens PEPAC/PRR/outros apoios em paralelo, planeia bem para não haver sobreposição de faturas e itens.


Atenção aos limites “de minimis” (porquê isto interessa?)

Este apoio é concedido ao abrigo das regras europeias de auxílios de Estado “de minimis”.

Em termos práticos, isto significa:

  • existe um teto máximo de apoios “de minimis” que cada beneficiário pode receber num determinado período;
  • o IFAP e/ou outras entidades verificam esse histórico (há registos centrais para isso).

O que fazer já

  • Se tens recebido apoios nos últimos anos, confirma com o teu contabilista/associação/cooperativa qual o teu “saldo” de minimis.
  • Garante que a tua informação e registos estão atualizados (isto evita surpresas na fase de análise).

Como te preparares para candidatar (checklist prático)

Mesmo antes de abrir o aviso, podes avançar com isto:

1) Diagnosticar onde está o “peso” da fatura

  • rega/bombagem?
  • frio industrial?
  • ventilação/ordenha/transformação?
  • iluminação e motores?

2) Escolher o investimento com melhor retorno

Exemplos típicos (confirmar no aviso):

  • autoconsumo fotovoltaico (telhado/armazéns/infraestruturas)
  • armazenamento (baterias) para reduzir picos e garantir autonomia
  • melhorias de eficiência energética em equipamentos e instalações (motores mais eficientes, variadores, otimização de bombagem, etc.)

3) Pedir orçamentos “bem feitos”

Pede propostas com:

  • descrição técnica clara,
  • quantidades,
  • preços por item,
  • prazos de entrega/instalação,
  • condições de garantia e manutenção.

4) Garantir “papéis limpos”

  • certidões de não dívida (ou autorizações para consulta)
  • IB/IFAP atualizado
  • NIB no IFAP correto (vai ser usado para receber o pagamento)

5) Planear execução e evidências

Guarda tudo desde o início:

  • faturas e recibos,
  • extratos bancários,
  • fotos antes/depois,
  • relatórios técnicos (se existirem),
  • licenças/autorização (se aplicável).

Erros que podem estragar a candidatura

  • Comprar antes de submeter (e depois descobrir que não é elegível)
  • Pagar em dinheiro / sem prova bancária clara
  • Orçamentos vagos (“kit solar” sem especificações)
  • Falta de documentos dentro do prazo quando o IFAP pede esclarecimentos
  • Tentar “dobrar” apoios e financiar a mesma despesa em dois regimes

Quando abre e onde acompanhar

Os prazos de candidatura vão ser definidos num aviso divulgado no IFAP e no Fundo Ambiental. A recomendação é: prepara tudo antes e, quando abrir, submete cedo (medidas com dotação limitada tendem a esgotar).


Conclusão: vale a pena?

Para muitas explorações, energia é uma das maiores rubricas de custo. Se conseguires financiar (total ou quase total) um investimento que reduz fatura e aumenta autonomia, isto pode ter impacto direto no rendimento — especialmente em rega, frio e infraestruturas.

👉 Dica AgroInveste: assim que sair o aviso com a lista final de despesas elegíveis, fazemos aqui um guia “passo a passo” com documentos, exemplos e erros a evitar.

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